EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um Amor à Altura



Piada Repetida

Um Amor à Altura (França, 2016) demonstra como seria uma produção dos irmãos Farrelly em modo europeu. Ainda que não apele para escatologias, não sendo, portanto, grosseiro nem apelativo como os trabalhos daqueles cineastas, o título francês, de maneira parecida, explora a exaustão sua única piada e, o que é pior, ainda cede ao previsível sentimentalismo em torno das dificuldades e preconceitos encarados por um casal com diferenças físicas latentes (ele um liliputiano e ela uma loura exuberante).
Desta feita, a partir da primeira aparição de Jean Dujardin na tela o espectador já consegue prever o que acontecerá até o fim do filme, problemática que poderia ser atenuada caso o riso fosse provocado com mais freqüência. Sim, alguns momentos até divertem graças ao charme de Dujardin, contudo, na maior parte do tempo um gravíssimo problema impede a plena imersão do público, qual seja a forma nitidamente deficiente com que a estatura do galã é reduzida.
Essa mesma dificuldade, vale dizer, já havia sido vista antes na trilogia O Senhor dos Anéis durante os planos em que os hobbits são enquadrados ao lado de pessoas de altura regular. Como, porém, em tais aventuras o foco não versa sobre tal questão e como diversos efeitos visuais se mostraram espetaculares em outras seqüências tal estranheza acabara minimizada, efeito que não ocorre na comédia francesa que se refere durante praticamente toda sua duração ao comprimento de um personagem que ora é mostrado como um anão, graças ao uso de dublês de corpo, ora é visto como uma versão computadorizada, afinada e achatada de Dujardin.Talvez por isso os Farrelly não tenham enveredado por essa piada¹.
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1. Dentro deste contexto, é inegável que embora Um Amor a Altura seja o remake de um filme argentino chamado Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho (2013), resta repetida a fórmula central da comédia O Amor é Cego (2001) dirigida pelos Farelly, na medida em que todos exploram os obstáculos enfrentados por um casal deveras diferente fisicamente.

FICHA TÉCNICA 

Título Original: Un Homme à La Hauteur
Direção e Roteiro: Laurent Tirard
Elenco: Adonis Danieletto, Bruno Gomila, Bruno Hausler, Camille Damour, Cédric Kahn, César Domboy, Christian Valsamidis, Christiane Conil, Edmonde Franchi, Eléa Clair, François-Dominique Blin, Jean Dujardin, Jean-Michel Lahmi, Lionel Murton, Manoëlle Gaillard, Marc Bonzom, Myriam Tekaïa, Pascal Tantot, Stéphanie Papanian, Virginie Efira
Produção: Sidonie Dumas, Vanessa van Zuylen
Fotografia: Jérôme Alméras
Montagem: Valérie Deseine
Trilha Sonora: Eric Neveux
Estreia: 04/08/2016 (Brasil)
Duração: 98 min.

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