EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 17 de outubro de 2010

Confissões de uma Garota de Programa


Nem Tanto Lá Nem Tanto Cá

Enquanto Lars Von Trier almeja ser considerado o melhor cineasta dos novos tempos, Steven Soderbergh briga para ser mencionado como o mais profícuo, seja lá o que isso queira dizer.
Neste passo, Soderbergh se esmera em produzir trabalhos de qualidades ora superestimadas ora duvidosas em nome da pressa. Dentro deste contexto, ainda que o diretor não tenha percebido que quantidade não necessariamente é sinônimo de qualidade, uma de suas obras merece a devida atenção por ter logrado o êxito de dividir em pólos totalmente opostos a crítica especializada, qual seja o filme Confissões de uma Garota de Programa (EUA, 2009).
Apesar de tratado como um produto do tipo “ame ou deixe”, Confissões... não chega a alcançar o patamar de nenhum desses extremos, eis que, na verdade, seu real propósito é o de provocar não tanto pela temática mas sim pela forma com que a narrativa evolui.
Fundando-se numa história que de original pouco tem, Soderbergh bebe da fonte do cinema francês e sua Nouvelle Vague para subverter a ordem, preferindo, por conseguinte, contar o enredo de um modo aparentemente aleatório e pouco preocupado em obedecer a uma continuidade padronizada.
Por isso, Confissões... é um filme que demora a engrenar mas que encaixa com exatidão as peças aparentemente soltas, razão pela qual é possível concluir que Soderbergh reservou, em meio a sua produção em massa, espaço para um experimento ousado e, sobretudo, desprovido de apelo comercial.
Tal proposta, felizmente, não se revela pretensiosa, eis que inconteste o cuidado para com a concepção visual da obra, bem como para com a condução do elenco – aspecto último esse no qual vale destacar o principal e único chamariz de polêmica e de público do longa-metragem: a presença da atriz pornô Sasha Grey que acaba tirando de letra sua estréia na tela grande por conta de uma interpretação contida e mergulhada em melancolia.
Confissões de uma Garota de Programa não faz jus a todos os elogios mencionados por parcela dos críticos, assim como também não é merecedor de todas as opiniões negativas e exageradas das quais servira de alvo, afinal, o objetivo de causar instigação e – por que não? – incômodo resta cumprido com mérito ainda que o cerne do argumento por vezes patine no lugar comum.
De qualquer modo, a estruturação anárquica do trabalho há de, no mínimo, ser saudada por representar um breve sopro de inteligência quanto ao manejo da forma em tempos de produções tão preguiçosas.

COTAÇÃO - ***

Ficha Técnica
Título Original: The Girlfriend Experience
Direção: Steven Soderbergh
Elenco:Sasha Grey (Chelsea) Ted Jessup (Chatty John)Timothy Davis (Tim)Timothy J. Cox (Businessman) Chris Santos (Chris)Bridget Storm (Cliente)
Estreia no Brasil: 31 de Julho de 2009
Duração: 77 minutos

Um comentário:

  1. É um filme que eu "quase" sempre alugo, sempre deixo ele pra outra hora...mais verei em breve!
    Certeza!
    Abs. =)

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