EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mother – A Busca Pela Verdade

Gol de Barriga

Após ver o filho deficiente mental ser preso pela suposta prática de homicídio, mãe inicia uma turbulenta jornada para provar a inocência do rebento e, ato contínuo, restituir-lhe a liberdade.
Partindo de uma premissa simples, Mother – A Busca Pela Verdade (Coréia do Sul, 2009) conquista de forma paulatina a atenção da platéia, na medida em que o suspense cresce e a trama se torna intricada e repleta de reviravoltas.
Apesar de ter um argumento típico de filmes ocidentais, Mother se mostra um produto genuinamente oriental tanto pela predileção de abordagem da fraqueza do caráter perante situações limite, quanto pela estupenda fotografia que com diversos planos médios e longos logra êxito em retratar a angústia da personagem principal, mesmo quando envolta por belas paisagens.
Ainda no campo das qualidades do longa-metragem, é impossível falar de Mother sem destacar a excepcional interpretação da atriz Kim Hye-ja que, desde a sequência de abertura, demonstra todo o sofrimento daquela mãe apenas com um olhar de choque e uma dança de movimentos dementes, revelando para o espectador a carga emocional que lhe será exposta nas próximas duas horas.
Registrados os devidos e justos elogios, resta, por último, frisar o único mas imenso problema da produção, qual seja os furos do roteiro no que tange a solução do mistério que envolve a história, falha essa que até o minuto final de duração tem-se a esperança de ser sanada, o que, infelizmente, não ocorre.
Seriam lacunas tão visíveis propositais? Somente uma dose generosa de boa vontade seria capaz de comportar tal compreensão. Por isso, Mother não deixa de representar uma nova vitória do cinema sul-coreano, porém, desta vez, o gol não foi de placa, mas de barriga.

COTAÇÃO - ***

Ficha Técnica
Título Original: Madeo
Direção:  Joon-ho Bong
Elenco: Sae-Beauk Song (detetive)Woo-hee Chun (Mina)Kim Hye-ja (mãe)Bin Won (Yoon Do-joon)Jin Goo (Jin-tae )Yoon Je-Moon (Je-mun)Mi-sun Jun (Mi-sun)
Estreia no Brasil: 6 de Fevereiro de 2010
Duração: 128 minutos

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