EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Jovem Rainha Vitória

Requinte e Bom Gosto

Requinte é palavra de ordem em A Jovem Rainha Vitória (Inglaterra/EUA, 2009); com figurinos ricos em detalhes e uma direção de arte primorosamente amparada pelas locações em castelos e mansões britânicas, o filme apresenta um apuro visual que, ao contrário do que se possa pensar, não se contenta em ser apenas um espetáculo para os olhos, eis que a esmerada concepção busca, sobretudo, colaborar para com a fluidez da narrativa.
Explique-se: trabalhos sobre intrigas palacianas tendem a, não raro, transitar do intricado para o enfadonho, o que jamais ocorre na obra em comento, afinal, a suntuosidade dos ambientes filmados é utilizada para não só definir o meio em que viveu a rainha e como também o quanto aquele colaborou para a formação de seu comportamento. Neste sentido, a trajetória da monarca é mostrada de forma humanizada, para, assim, revelar-se a forte personalidade da mesma, bem como a insegurança que, por vezes assombrava a mulher Vitória nos momentos em que se via rodeada pela pompa de uma Corte caracterizada por amealhar interesses diametralmente opostos de seus súditos.
Justamente por tecer um panorama humano da protagonista, o roteiro volta seu olhar para a descoberta do amor entre a rainha e o príncipe da Bélgica, relação essa que resultou num casamento embasado em genuínos laços de afeto - fato incomum para a época. Neste passo, o romance vivido em meio aos compromissos e responsabilidades oriundos da Coroa poderia facilmente resvalar em tom novelesco, o que, felizmente, não ocorre graças a sobriedade com que o diretor Jean-Marc Vallée conduz a trama.
A Jovem Rainha Vitória foge, por fim, dos formatos tradicionais ao gênero, para, ato contínuo, manter com afinco a atenção do público durante todo seu desenvolvimento. Não fosse o bastante, a produção ainda serve de vitrine para o potencial até então não explorado de Emily Blunt que aproveita a oportunidade ao interpretar com imensa naturalidade uma personagem complexa cujos erros e acertos são explorados sem titubeação como forma de garantir a devida dose de imparcialidade ao retrato. Eis, portanto, uma atriz de talento tão acachapante quanto sua beleza e que parece ter ainda muito o que mostrar; fiquemos, então, no aguardo.

COTAÇÃO - ☼☼☼☼

Ficha Técnica
Título Original: The Young Victoria
Elenco: Emily Blunt (Vitoria)Julian Glover (Duque de Wellington)Jim Broadbent (Rei William)Rachael Stirling (Duquesa de Sutherland)Thomas Kretschmann (Rei Leopoldo da Bélgica)Mark Strong (Sir John Conroy)Jesper Christensen (Barão Stockmar)Michiel Huisman (Ernest)Harriet Walter (Rainha Adelaide)Miranda Richardson (Duquesa de Kent)Jeanette Hain (Baronesa Lehzen)Genevieve O'Reilly (Lady Flora Hastings)Rupert Friend (Albert)Paul Bettany (Lorde Melbourne)Michael Maloney (Sir Robert Peel)
Música: Ilan Eshkeri
Fotografia: Hagen Bogdanski
Direção de Arte: Paul Inglis, Chris Lowe e Alexandra Walker
Figurino: Sandy Powell
Edição: Jill Billcock e Matt Garner
País de Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Estreia no Brasil: 18 de Junho de 2010
Duração: 105 minutos

Curiosidades:

“-A princesa Beatrice de York, filha da produtora Sarah Ferguson, faz uma pequena ponta. Beatrice é a tatatatataraneta da verdadeira rainha Vitória;
-Várias das cenas internas foram rodadas no castelo Belvoir, em Leicestershire. A cama usada na cena da lua de mel foi usada pela verdadeira rainha Vitória quando visitou o castelo, em 1843. O quarto é tão pequeno que todas as câmeras tiveram que ser colocadas do lado de fora das janelas;
-Os vestidos usados por Emily Blunt custaram 10 mil libras esterlinas cada;
-O vestido usado por Vitória em seu primeiro encontro com o conselho é uma réplica do utilizado pela verdadeira Vitória, atualmente disponível em um museu inglês”. FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/a-jovem-rainha-vitoria/noticias-e-curiosidades/.
“Tanto luxo em cena – com direito ao Oscar de figurino para Sandy Powell – não é à toa. A obra teve o olhar clínico da dupla de produtores Martin Scorcese (...) e da duquesa de York Sarah Ferguson, ex-mulher do príncipe Andrew”. Graças a ela foi possível “filmar em nove castelos e mansões britânicas”. FONTE: Revista Preview.  n° 11. São Paulo: Sampa, Julho de 2010. p. 66.

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