EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 10 de março de 2012

O Artista

                             ?

              É natural que um filme muito consagrado fomente questionamentos comparativos quanto ao merecimento de seu êxito; no caso de O Artista (França/Bélgica, 2011) tais indagações se mostram mais do que evidentes em virtude da aproximação temática com A Invenção de Hugo Cabret (EUA, 2011) – filme que, como sabido, foi o concorrente direto da obra em análise na temporada de premiações que abriu o ano de 2012. Neste sentido, mas sem necessariamente fundamentar a crítica em comparações e limitando-se ao valor da produção dirigida por Michel Hazanavicius, partamos as perguntas que o longa-metragem provoca:
- O que afinal importa em O Artista? Sua forma ou seu conteúdo? O fato de ser um filme mudo lançado em pleno século XXI é o bastante enquanto atestado de qualidade? A suposta ousadia da produção suplanta qualquer outro aspecto fílmico? Dentro deste contexto, o formato de pastiche – muito em voga em tempos de pós-modernismo – se sustenta por si só?
- Quanto a seu enredo, o longa-metragem apresenta alguma inovação ou se limita a uma repaginação de assunto já brilhantemente abordado em Cantando na Chuva (EUA, 1952)?
- Uma vez calcada na estética de trabalhos realizados durante a transição do cinema silencioso para falado, a direção de Hazanavicius traz em seu bojo algum traço de originalidade ou não passa de uma homenagem bonita mas sem estilo próprio? Considerando-se essa última hipótese, seria esse um caso passível de inserção de uma marca singular?
- Não obstante a simpatia com que atua, o ator Jean Dujardin consegue ir além da faceta canastrona que seu personagem maneja no auge da fama? Há elementos em sua interpretação que extravasem essa fronteira?
- O cachorro tão superestimado por muitos possui alguma real função para a narrativa ou representa tão somente um mimo dado ao público como forma de garantir a afeição deste pelo filme?
              Perante tantas dúvidas algumas constatações hão de ser feitas:
- Sim, as perguntas acima mais parecem afirmações. De qualquer forma, em se tratando a visão crítica de uma pessoa, as interrogações são deixadas para reflexão de outros.
- Sim, tecnicamente O Artista é um primor no que tange sua fotografia e uso inteligente do som direto, mas ainda que reconhecidas tais qualidades - e aí inevitável é encerrar a afirmação e o texto com mais uma incerteza -, o filme realmente representa tudo isso que se fala? Em poucas palavras, é para tanto?

COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Ficha Técnica
Título Original: The Artist
Direção e Roteiro:Michel Hazanavicius
Produção: Adrian Politowski, Emmanuel Montamat, Gilles Waterkeyn, Jeremy Burdek, Nadia Khamlichi, Thomas Langmann
Elenco:Jean Dujardin (George Valentin)Calvin Dean (Mr. Sauveur)Bitsie Tulloch (Norma)Bérénice Bejo (Peppy Miller)John Goodman (Zimmer)James Cromwell (Clifton)Penelope Ann Miller (Doris)Missi Pyle (Constance)Malcolm McDowell (The Butler) Uggie (The Dog)
Estreia no Brasil: 10 de Fevereiro de 2012
Estreia Mundial: 12 de Outubro de 2011
Duração: 100 min.

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