Triângulo Amoroso

                           Era Uma Vez a Poesia: A Vitória do Folhetim

                A apresentação dos créditos iniciais de Triângulo Amoroso (Alemanha, 2010) tem muito a dizer sobre o filme: simultaneamente cenas distintas envolvendo o casal de protagonistas vão sendo mostradas, opção estética essa que resulta numa acumulação aloprada apta a apenas deixar o espectador quanto ao local da tela para onde deve focar sua atenção.
               Nesta toada, o diretor Tom Tykwer dá as costas para a concisão e preenche sua obra com gorduras e explicações desnecessárias. Dito isso, para que, por exemplo, estender o drama da morte de uma personagem a uma aparição fantástica de sua alma? Para que a Hanna, a mulher interpretada pela atriz Sophie Rois, é dotada de tantas facetas profissionais? Por que construir a cena final de forma tão didática, determinando, desta feita, a opção sexual de cada membro do ménage à trois conforme sua posição na cama¹? 
              Logo em seu início o longa-metragem até gera uma expectativa positiva, face o tom poético das seguintes sequências:
- cabos de energia, uma vez interligados por postes, traçam uma trajetória quase sempre paralela, sintetizando, assim, a própria caminhada de um casal envolto em um relacionamento de longo tempo;
- casal bailarinos recebe a intervenção de um terceiro dançarino.
             Ocorre que, apesar do modo exitoso com que manejam metáforas, tais cenas lamentavelmente não espelham o conjunto de um trabalho que se perde em meio a abordagens supérfluas e a uma estrutura narrativa típica de folhetim. Não fosse o bastante, já próximo ao término, um deslocado viés cômico expõe com louvor inglório a ineficiente definição psicológica de personagens que, por conseguinte, não passam de caricaturas daquilo que poderiam realmente representar.
             Dentro deste contexto, vale frisar, o único a sair ileso do roteiro de Tykwer é o bissexual encarnado por Devid Striesow, o que, convenhamos, é pouco se considerarmos que este é um personagem que não oferece muita complexidade, dada a tranqüilidade com que encara tanto sua escolha sexual quanto o (promíscuo?) acúmulo de parceiros.
             Sim, o filme não julga seus personagens mas também não se empenha em oferecer elementos para problematizá-los. Chatice de crítico ou será Tom Tykwer um artista superestimado?
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1. Por certo, Triângulo Amoroso ganharia mais se substituísse metade de suas informações inúteis por doses de ambiguidade. Isto posto, não há nada mais didático e pouco subjetivo do que a cena final quando os três personagens deitam na cama. Neste sentido, lembre-se da ordem de suas disposições: 1º - o marido; 2° - o amante; 3º - a mulher; ou seja,
- o marido se assume enquanto homossexual colocando-se atrás do amante, alterando, portanto, em definitivo, sua opção sexual;
- no meio, o amante se mantém numa óbvia posição bissexual;
- a mulher, na outra ponta da cama, encontra resposta para sua heterossexualidade apenas na figura do amante bissexual que vem logo atrás.
Para que tal distinção de gêneros? Não seria mais poético e, (por que não?) sincero se o longa-metragem terminasse quando num abraço os três se confundem num só?


COTAÇÃO: ۞۞ 

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Tom Tykwer
Produção: Stefan Arndt
Elenco: Sophie Rois (Hanna)Winnie Böwe (Petra)Alexander Hörbe (Dirk) Angela Winkler (Hildegard)Annedore Kleist (Lotte)Devid Striesow (Adam)Sebastian Schipper (Simon)Alexander Scheer (Gast)Gotthard Lange (Udo)Thomas Kornmann (Redakteur)Peter Benedict (Boninger)Senta Dorothea Kirschner (Katrin)Cedric Eich (Sven)Hans-Uwe Bauer (Dr. Wissmer)Gundi Anna Schick (Simons Tante)
Estreia Mundial: 23 de Dezembro de 2010
Duração: 119 min.

Comentários

  1. conheço bem pouco do cinema do tom, vou procurar, só por curiosidade.

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