EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Música Segundo Tom Jobim



Vale o Quanto Toca

Documentário, vídeo-clip ou compilação caseira? A Música Segundo Tom Jobim (Brasil, 2011) não exclui nenhuma dessas possibilidades na medida em que jamais procura alcançar a completude informativa, preferindo, em contrapartida, se comportar apenas como uma homenagem cuja maior pretensão é mostrar a trajetória que as canções do maestro soberano trilharam mundo afora nas vozes e instrumentos de diversos artistas.
Nelson Pereira dos Santos por várias vezes declarou ter evitado impor a seu filme uma roupagem televisiva, daí porque utilizou apenas imagens preexistentes e rechaçou diálogos e legendas identificadoras daqueles que aparecem na tela. Para o cineasta a linguagem cinematográfica há de ser manejada de modo diferenciado em razão de sua natureza artística. Assim, de acordo com sua concepção, o pensamento jobiniano “A linguagem musical basta” pode ser literalmente aplicado ao cinema, conclusão que, convenhamos, tende a empobrecer um exercício midiático cujas possibilidades são infinitas justamente por se configurar na junção de todas as formas de manifestação da arte.
Em se tratando de um produto gerado do início ao fim na mesa de edição é inegável que certos deslizes da montagem assumem proporções maiores que em qualquer outro longa-metragem, o que explica o incômodo causado por certas transições abruptas e pela insistência demonstrada perante determinadas músicas. Não a toa, enquanto técnica, A Música Segundo Tom Jobim é um trabalho trôpego que se contenta com pouco, ao passo que na condição de instrumento fomentador de emoções, a produção se revela um delicioso espetáculo sensorial, mérito esse que, ressalte-se, é fruto exclusivo da genialidade de Tom Jobim e de seus parceiros de composição, não havendo, portanto, que se cogitar de qualquer influência da equipe de produção do filme nesse sentido.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim
Produção: Ivelise Ferreira, Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos, Miúcha Buarque
Trilha Sonora: Paulo Jobim
Estreia no Brasil: 20.01..2012
Duração: 88 min.

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