EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Dublê do Diabo



Muito Potencial. Pouco Resultado.

Lee Tamahori teve um celebrado início de carreira graças ao denso O Amor e a Fúria (Nova Zelândia, 1994). Com o passar do tempo, porém, a qualidade de sua filmografia foi gravemente prejudicada em virtude de trabalhos como os esquecíveis No Limite (EUA, 1997) e 007 – Um Novo Dia Para Morrer (Reino Unido/EUA, 2002), além, é claro, do abominável O Vidente (EUA, 2007).
Dentro deste contexto, O Dublê do Diabo (Bélgica, 2011), no que tange sua principal característica, se confunde com aquilo que o próprio cineasta tem sido: um filme/artista de considerável potencial que, entretanto, não atinge a plenitude de suas pretensões.
Com efeito, o novo filme de Tamahori possui o inegável mérito de se basear na deveras curiosa história de vida daqueles que exercem o ofício de sósias de ditadores como Saddam Hussein e seu, também sanguinário, filho Uday. Ocorre que de tão determinado a tratar o assunto tal qual uma história de gangsteres, o diretor acaba enclausurando o longa-metragem num formato já convencional que o leva a perder a oportunidade de, por exemplo, brincar com o falso e o real na medida em que, ao lado do roteirista Michael Thomas, ignora a polêmica acusação feita a Latif Yahia - autor da biografia que embasara o roteiro - de ser, na verdade, um farsante que jamais atuou como dublê de qualquer pessoa¹.
Ante o exposto, ao espectador não sobra qualquer provocação, o que é uma pena em se tratando de um tema tão rico. De qualquer modo, embora se valha de uma abordagem limitada, a obra não merece ser desprezada seja pelo enredo ‘histórico’ seja pela atuação de Dominic Cooper enquanto alguém forçado a viver e ser tal o qual o mais vil dos homens.
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1.     “O livro de Latif Yahia tem sido contestado por diversas fontes e alguns chamam o autor de golpista, mas ele garante que passou até por cirurgias plásticas para ficar parecido Uday. (FONTE: Revista Preview. Ed. 30. Ano 3. São Paulo: Sampa, Março de 2012. p.66).

FICHA TÉCNICA
Título Original: The Devil's Double
Direção: Lee Tamahori                    Roteiro: Michael Thomas
Produção: Paul Breuls, Michael John Fedun, Emjay Rechsteiner, Catherine Vandeleene
Elenco: Dominic Cooper, Ludivine Sagnier, Raad Rawi, Philip Quast, Mimoun Oaïssa, Khalid Laith, Dar Salim, Nasser Memarzia, Mem Ferda, Pano Masti
Fotografia: Sam McCurdy               Trilha Sonora: Bart Westerlaken
Estreia Mundial: 29.07. 2011
Duração: 109 min.

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