EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um Dia



Convencional e Pudico

Considerando que a narrativa de Um Dia (EUA, 2011) percorre os anos de 1988 a 2008, a crítica Suzana Uchôa Itiberê acerta em cheio ao concluir que:
Além de acompanhar as transformações da vida dos protagonistas, [o filme] era uma ótima oportunidade para se fazer um retrato histórico dessas décadas. Mas não. O enfoque limita-se ao romance, que é um tanto piegas”¹.
Com efeito, a exceção de determinadas canções representativas de determinados períodos e de figurinos atentos a moda de cada época, o longa-metragem desperdiça a chance de investigar a fundo o comportamento de uma geração, alternativa essa que se levada adiante, provavelmente, contextualizaria melhor os personagens e suas escolhas.
Uma vez realizado de modo contrário, Um Dia não passa de um convencional romance água com açúcar, cuja pitada de tragédia, ao invés de causar impacto – para quem ainda desconhece o texto original de David Nicholls – apresenta, na verdade, o amargo sabor do clichê. As mulheres, via de regra, deverão, de qualquer forma, gostar do resultado graças, sobretudo, ao sempre confiável Jim Sturgess, ao passo que os homens haverão de ficar incomodados não só pelo tom deveras meloso da história de um amor maltratado pelo tempo, mas principalmente pela direção pudica de Lone Scherfig que se mostra tímida o bastante para mostrar com naturalidade os momentos mais tórridos da paixão vivida pelo casal central²-³.
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1.     Revista Preview. Ed. 26. Ano 3. São Paulo: Sampa, Novembro de 2011. p.63.
2.     O que comprova que seu trabalho on imediatamente anterior Educação (Inglaterra, 2009) fora realmente superestimado.
3.     Anne Hathaway, por certo, não se importaria em encarar uma toada, as vezes, mais sensual, vide sua participação em Amor e Outras Drogas (EUA, 2010), longa-metragem que, apesar de algumas limitações, consegue sair do lugar comum face o vigor com que retrata o sexo enquanto descoberta e entrega dentro de uma relação amorosa.

Ficha Técnica

Título Original: One Day

Direção: Lone Scherfig
Produção: Nina Jacobson                  Roteiro: David Nicholls
Elenco:  Anne Hathaway, Jim Sturgess, Tom Mison, Jodie Whittaker, Tim Key, Rafe Spall, Joséphine de La Baume, Patricia Clarkson, Ken Scott, Heida Reed, Amanda Fairbank-Hynes
Fotografia: Benoît Delhomme          Trilha Sonora: Rachel Portman
Estreia Mundial: 19.08.2011              Estreia no Brasil: 02.12. 2011
Duração: 107 min.

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