EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Melhores de 2014



Dentre os filmes que lograram o êxito de chegar as telas de Belém em 2014, restou clara a considerável quantidade de títulos que muito prometeram mas que por um ou outro motivo não conseguiram alcançar todo seu potencial, o que, consequentemente, fez a tarefa de elencar os melhores do ano custar a ser concluída. Sem mais lamentações, saudemos o que de melhor foi exibido nesses últimos meses na cidade das mangueiras...
1.   Azul é a Cor Mais Quente
Mesmo chegando com atraso as telas da capital paraense, o vencedor da Palma de Ouro em 2013 se manteve durante meses na dianteira chegando ao fim do ano como o melhor título exibido na cidade graças a veracidade com que relata uma história de amor – independentemente da orientação sexual – comum a todos.

2.   O Lobo de Wall Street
Incrível o frescor que o jovem Sr. Martin Scorcese aplica em seus filmes. Conectado a toda uma evolução da linguagem audiovisual, Scorcese entrega seu melhor trabalho cômico, neste que ainda representa o ápice da parceria com Leonardo DiCaprio (em estado de graça).

3.   O Passado
Asghar Farhadi revisita temas já tratados em sua filmografia, como a complexidade das relações familiares, mas o faz de maneira inovadora, explorando, assim, novas perspectivas de um mesmo assunto tal como um Yasujiro Ozu deste novo século de cinema.

4.   O Médico Alemão
O relato sobre a passagem de Joseph Mengele pela Argentina se vale do objetivo de não parecer um vídeo educacional para paulatinamente liberar informações fundindo, assim, drama e suspense num trabalho que corrobora a qualidade e diversidade do cinema argentino atual. Leia a crítica em:

5.   Pelo Malo
Em Pelo Malo cabe ao espectador escolher o caminho pelo qual prefere compreender a obra: se tão somente um trabalho sobre distinção de sexualidade e preconceito, se uma obra de cunho principalmente social ou se ambas as coisas. Seja qual for a alternativa, na trilha aberta por Mariana Rondón todos os pontos se cruzam independentemente do viés interpretativo. Complexo e eficiente, portanto. Leia a crítica em: http://setimacritica.blogspot.com.br/2014/07/pelo-malo.html

6.   Miss Violence
Espécie de versão hardcore de As Virgens Suicidas, Miss Violence se impõe como uma das mais incômodas e angustiantes experiências cinematográficas dos últimos tempos dada a sucessão de depravações mostrada. Sufocante, o filme vai a cada minuto fazendo o espectador sentir o estômago mais e mais embrulhado numa toada crua e sem espaço para alívio. Leia a crítica em: http://setimacritica.blogspot.com.br/2014/12/miss-violence-as-virgens-suicidas_23.html

7.   A Grande Beleza
A Grande Beleza é, sobretudo, uma ode ao cinema italiano, eis que reverencia duas de suas maiores obras: A Doce Vida de Federico Fellini e Morte em Veneza de Luchino Visconti. Todavia, o trabalho de Paolo Sorrentino não se contenta em ser apenas um filme homenagem, abrindo também espaço para reflexão sobre a sociedade italiana atual e a contraditória ausência de refinamento de sua parte num local tão culto e belo.

8.   Interestelar
Interestelar é um filme arriscado na medida em que busca não só arrebatar o olhar como também expandir, tornar complexo um mote aparentemente comum. Neste diapasão, destaca-se a forma precisa com que Christopher Nolan conta a história sem medo de acumular personagens, espaços e tempos diversos.

9.   12 Anos de Escravidão
12 anos de Escravidão pode não ser brilhante em seu todo, mas é, frise-se, excepcional em determinados capítulos nos quais a crueldade branca e/ou o sofrimento negro dão o tom, inflando de angústia quem os assiste.

10.         O Lobo Atrás da Porta
O que torna memorável o longa-metragem de Fernando Coimbra é a forma gradual com que, sem abrir mão do humor, constrói o suspense e delineia os ambíguos perfis de cada membro de um triângulo amoroso. Some-se a isso um poderosíssimo ponto de virada do roteiro que culmina num desfecho não menos que impactante.

11. Praia do Futuro
12. Capitão América – O Soldado Invernal
13.  Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1
15. Garota Exemplar
18. Ela
19. Eu e Você

Melhor Direção: Abdellatif Kechiche: (Azul é a Cor Mais Quente)
Melhor Ator: Leonardo Di Caprio (O Lobo de Wall Street)
Melhor Ator Coadjuvante: Mattew McConaughey (O Lobo de Wall Street) e Michael Fassbender (12 anos de Escravidão)
Melhor Atriz: Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Lawrence (Trapaça)
Melhores Efeitos Especiais: Guardiões da Galáxia
Melhor Fotografia: A Grande Beleza
Melhor Roteiro Adaptado: Azul é a Cor Mais Quente
Melhor Roteiro Original: O Passado
Melhor Montagem: O Lobo de Wall Street
Melhor Direção de Arte: Ela
Melhor Figurino: Trapaça
Melhor Canção: The Hanging Tree (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

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