EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014, Perspectiva 2015



Retrospectiva 2014, Perspectiva 2015

2014 haverá de ser lembrado como um ano negro para a história da cultura no Estado do Pará. Neste sentido, a crise enfrentada pelas salas de cinema alternativo deu as caras logo nos primeiros meses do ano quando uma pane ocorrida no projetor do Cine Líbero Luxardo deixou o público por semanas carente da boa programação daquele lugar. Em seguida, a polêmica rejeição por parte de Cine Olympia e Cine Líbero quanto a proposta de doação de projetores não mais utilizados pelo complexo Cinepólis deixou estupefata toda uma comunidade cinéfila que, ansiosa por tal presente, teve de aturar justificativas autossuficientes e utópicas para o não aceite.
Já próximo ao fim do ano, a aprovação do projeto de lei estadual n°439/2014 determinou a fusão do Instituto de Artes do Pará (IAP) e das Fundações Curro Velho e Tancredo Neves (CENTUR), passando os três a partir de então a compor a Fundação Cultural do Pará. Tal reforma administrativa, como sabido, visa a redução de despesas e redirecionamento de verbas o que, convenhamos, permite as mais drásticas previsões e especulações na medida em que sem ter a disposição o mesmo orçamento de outrora e deixando de ter cada um daqueles sua autonomia gerencial, fica difícil crer que as atividades desempenhadas no passado pelos três sejam normalmente mantidas no futuro.
O cinema, dentro deste contexto, corre o risco de perder as oficinas de formação profissional (IAP e Curro Velho), o apoio técnico e logístico as produções audiovisuais (IAP) e até (por que não?) a regularidade das projeções nas salas de cineclube (IAP e CENTUR). Guardadas as devidas proporções, a extinção da Embrafilme aniquilou no início da década de 90 a pretensão de se fazer cinema no país, cenário, pelo visto, reservado daqui para a frente àqueles que, embora sedentos por praticar sua arte, não forem agraciados pela iniciativa privada nem residirem na capital paraense.

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