EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Parto de Viagem

Cópia Sem Graça e Descartável

Filmes cujos pontos de partida são embasados em premissas manjadas tendem a ser considerados dispensáveis dada a dificuldade de inovação de idéias hoje tornadas clichês. De modo semelhante, filmes produzidos no intuito de servir como repaginação de longas-metragens bem sucedidos no passado tendem a ser rotulados como descartáveis em razão de se mostrarem, grande parte das vezes, como simplórias cópias que em nada acrescentam sobre as experiências anteriores.
Dentro deste contexto, não bastasse ter como argumento o repetido tema da dupla forçada a viajar junta apesar da ausência de empatia mútua e instantânea, Um Parto de Viagem (EUA, 2010) se revela, por fim, como um deslavado plágio da divertida comédia Antes Só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains and Automobiles, 1987), respectivamente dirigida e estrelada pelos saudosos John Hughes e John Candy.
Isto posto, Um Parto de Viagem não propõe qualquer variação em torno do pontapé inicial do roteiro, assim como não logra o êxito de gerar risos das situações, supostamente cômicas, surgidas a partir da convivência dos protagonistas, o que, perante um elenco composto pelo camaleão Robert Downey Jr. e pelo competente Zach Galifianakis, expõe uma lastimável pisada na bola do diretor Todd Phillips o qual entrega, portanto, um trabalho “meia boca” que, apesar de voltado ao público masculino, comete o pecado mortal de ser indeciso quanto a opção pelo estilo politicamente incorreto ou pelo gênero filme-de-lições-edificantes.
Nada disso, contudo, representa uma surpresa digna de nota, eis que a filmografia de Phillips é marcada por uma inconstância na qual os pontos baixos superam os pontos altos, de forma que, dentre suas realizações, apenas duas merecem incontestes elogios, quais sejam os hilários Dias Incríveis (Old School, 2003) e Se Beber Não Case (The Hangover, 2009). Logo, resta torcer para que o cineasta não falhe novamente quando da condução da aguardada sequência Se Beber Não Case 2 (The Hangover 2), cuja estréia fora marcada para maio do próximo ano. É esperar para ver.

COTAÇÃO - ۞۞

Ficha Técnica
Título Original: Due Date
Direção: Todd Phillips
Elenco: Zach Galifianakis (Ethan Tremblay)Robert Downey Jr. (Peter Highman)Jamie Foxx (Jim)Juliette Lewis (Heidi)Michelle Monaghan (Christine Highman)Alan Arkin RZA (Marshall)Matt Walsh Danny McBride Mimi Kennedy (Rosie) James Martin Kelly (Chuck)
Estreia no Brasil: 5 de Novembro de 2010
Duração: 99 minutos

Nenhum comentário:

Postar um comentário