EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 7 de abril de 2011

Enterrado Vivo/127 Horas


A Claustrofobia na Imagem

Quando Enterrado Vivo (Buried, EUA, 2010) chegou aos cinemas muitos se apressaram em apontar na obra um caráter asfixiante e claustrofóbico. Guardada a devida cautela, a realização do diretor Rodrigo Cortés é sim um belo exemplo de condução da narrativa em um único espaço – nesse caso, um caixão. Porém, não obstante a eficaz fotografia e o correto desempenho do ator Ryan Reynolds, a produção não chega a alcançar o grau de excelência ressaltado em tantas críticas, visto que a partir de certo ponto o cansaço inevitavelmente acomete o espectador.
Ok, este não deixa de ser um projeto de inconteste bom gosto – neste ritmo, os créditos iniciais à la Saul Bass e a conclusão sem espaço para concessões são provas disso – todavia, as boas intenções acabam se perdendo em meio a desnecessários alongamentos da trama e, por óbvio, do tempo de duração do filme, maculando, assim, uma idéia essencialmente enxuta.
Entender o cinema como mera indústria de entretenimento é visualizar de maneira simplória o poder de atração e de transformação exercido pela imagem em movimento, daí porque é sempre frustrante perceber com tamanha nitidez o desvio de rota que leva uma obra a ser tão somente mais uma entre tantas em detrimento de todo seu potencial.
Por isso, os elogios concedidos em demasia a Enterrado seriam mais justos se direcionados para o novo trabalho do cineasta Danny Boyle, qual seja o drama 127 Horas (127 Hours, EUA, 2010). Destarte, ainda que neste caso a mise en scène não permaneça concentrada num único plano físico, Boyle, com a fundamental ajuda da direção de fotografia, concede ao público a oportunidade de provar as mesmas sensações de clausura, solidão, arrependimento e desespero experimentadas pelo protagonista, aspecto esse no qual se destaca a estupenda atuação de James Franco que transita com desenvoltura entre tais sentimentos sem deixar de lado o ar cool e blasé com o qual vem marcando seus papeis.
Diretor e ator, portanto, logram o êxito de, sem qualquer ranço maniqueísta, atribuir suspense e angústia a um enredo cujo final é previamente conhecido por todos – afinal, trata-se de um filme baseado numa história verídica. Desta feita, 127 Horas dribla clichês e formatos para se firmar como um exemplo de cinema emocionante e, agora sim, claustrofóbico.

COTAÇÕES:
Enterrado Vivo - ☼☼☼  
127 Horas - ☼☼☼☼☼

Ficha Técnica - Enterrado Vivo
Direção e Edição: Rodrigo Cortés
Elenco: Ryan Reynolds (Paul) Erik Palladino (Special Agent Harris (Voz))Warner Loughlin (Maryanne Conroy / Donna Mitchell / Rebecca Browning (Voz))Ivana Miño (Pamela Lutti)Samantha Mathis (Linda Conroy (Voz))Stephen Tobolowsky (Alan Davenport (Voz))Robert Clotworthy (CRT Spokesman (Voz))José Luis García Pérez (Jabir (Voz))Robert Paterson (Dan Brenner (Voz))
Música: Víctor Reyes
Fotografia: Eduard Grau
Estreia no Brasil: 10 de Dezembro de 2010
Duração: 95 minutos

Ficha Técnica - 127 Horas
Direção: Danny Boyle
Elenco: Rebecca C. Olson (Monique Meijer)Pieter Jan Brugge (Eric Meijer)John Lawrence (Brion)Jeffrey Wood (Andy Meijer)Treat Williams (Aron's Dad)Fenton Quinn (Blue John)Kate Burton (Aron's Mom)Clémence Poésy (Rana)Darin Southam (Zach)Sean Bott (Aron's Friend)Kate Mara (Christie)James Franco (Aron Ralston)Norman Lehnert (Dan)Amber Tamblyn (Megan)Lizzy Caplan (Sonja Ralston)
Estreia no Brasil: 18 de Fevereiro de 2011
Estreia Mundial: 5 de Novembro de 2010
Duração: 94 minutos

3 comentários:

  1. Nossa, eu discordo completamente. Enterrado Vivo, apesar de alguns momentos banais, é muito mais claustrofóbico, denso, e não tem aquela direção de videoclipe do filme de Boyle, que apesar de ser bom, enjoa com seus milhares e desnecessários flashbacks. Mas é isso, opnião é opnião.

    http://cinelupinha.blogspot.com/

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  2. Eu tava pensando em escrever exatamente sobre esses dois filmes... ¬¬'

    "127 Horas" é realmente melhor, mas "Enterrado Vivo" tem seu valor!

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  3. Poxa Dario, obrigado! Eu queria escrever mais no meu blog e espero fazê-lo com afinco este ano!
    A Salma também teve a mesma idéia e ela postou o meu texto no NEOCRÍTICAS.
    Ainda não assisti ao "BURIED",mas tenho a sensação de que "127 HOURS" é superior em seus vários aspectos. Vou pegar o "BURIED" pra assistir em dvd!

    Abração

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