EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 9 de abril de 2011

A Todo Volume

Bifurcação Mal Conduzida

No documentário A Todo Volume (EUA, 2009) três ilustres rockeiros de diferentes gerações – Jimmy Page, The Edge e Jack White – reúnem-se para conversar sobre a devoção de cada um pela guitarra. Certeza de um belo espetáculo? Nem tanto.
Intencionado a não focar o filme apenas em torno do bate papo dos músicos, o diretor Davis Guggenhein mescla cenas do inédito encontro com depoimentos isolados dos artistas acerca do histórico de suas carreiras. Dentro deste contexto, tal bifurcação faz com que ambos os caminhos deixem de ganhar a atenção devida, uma vez que tanto as histórias específicas dos guitarristas soam diluídas – aspecto esse no qual se salvam os trechos pertencentes a J. Page, afinal sua trajetória é de longe a mais interessante em razão de se confundir com a própria ascensão do rock – quanto os diálogos travados entre os três mostram-se duramente atingidos pela edição, o que, reconheçamos, talvez seja fruto, em se tratando de um primeiro contato, do nítido e compreensível acanhamento mostrado pelas estrelas da música elencadas.
Ainda assim, não deixa de ser curioso ver Jack White e, sobretudo, The Edge tentando disfarçar a excitação e a insegurança sentidas perante a presença da lenda viva do rock Jimmy Page, o que reforça a sensação de que A Todo Volume poderia, fazendo jus ao título, resultar num banquete para olhos e ouvidos, porém, da forma como fora finalizado, se limitou a condição de aperitivo.
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1. Isso porque - tal como fez, por exemplo, John Lennon - Page tocou seus primeiros acordes numa banda de skiffle, gênero ancestral do rock caracterizado pela fusão de música folclórica britânica, folk e jazz.

 COTAÇÃO: ۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: It Might Get Loud
Direção: Davis Guggenhein
Elenco: Jimmy Page, The Edge e Jack White
Estreia no Brasil: 15 de Janeiro de 2010
Duração: 97 minutos

Um comentário:

  1. Achei ousado este documentário. Por que até então reunir apenas três guitarristas de gerações diferentes. Sempre vai passar na mente de quem vai assistir: "Se o guitarrista do The Who estivesse aqui ou do Queen, ou do Rush?", enfim. Mas é um ótimo trabalho. E melhor ainda que não é um documentário chato. Vale a todo volume.

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