EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo



O Amor nos Tempos do Apocalipse

Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (EUA, 2012) manifesta inegável inspiração em Sentidos do Amor (Alemanha/Reino Unido, 2011), afinal, ambos os filmes tratam do amor surgido entre pessoas desoladas pelo pandemônio em que o mundo, em tempos apocalípticos, se tornara. Assim, enquanto no primeiro a balbúrdia é fruto da iminente colisão de um asteroide com a Terra – acidente que, extinguirá, por óbvio, nosso planeta – o segundo título não sugere necessariamente o fim da raça humana, porém estabelece o caos a partir de uma pandemia que retira gradualmente do homem cada um de seus cinco sentidos, o que acarreta, por conseguinte, a ruptura da sociedade e de seus valores morais.
Firmadas as semelhanças, cabe dizer que Procura-se um Amigo não chega a alcançar as mesmas altas notas de dramaticidade do drama inglês¹, constatação essa derivada não somente do fato de se tratar de um trabalho de estreia de uma diretora (e roteirista) ainda carente de uma assinatura própria, mas, principalmente, em razão do salutar comprometimento do texto para com a comédia também. Desta feita, interessada em explorar os desvios de conduta do homem ante a certeza de um amanhã que não virá, Lorene Scafaria extrai de forma sutil, em conjunto com seu elenco², situações cômicas que em muito colaboram para fazer com que a obra não soe piegas em momento algum.
Sensível, Procura-se um Amigo possui o grande mérito de demonstrar, tal qual seu parente (nem tão) distante Sentidos do Amor que temas catastróficos não demandam obrigatoriamente encenações épicas, eis que é no conteúdo e não na forma que reside o valor de qualquer trabalho artístico, daí que a catarse pode sim advir, como na sequência final da produção em análise, de um simples vai e vem de plano e contraplano emoldurado por uma trilha sonora composta de ruídos assustadores e diálogos certeiros. Simples assim.
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1. Leia mais sobre Sentidos do Amor em http://setimacritica.blogspot.com.br/2012/07/sentidos-do-amor.html.
2. Dentro deste contexto, Steve Carell mostra novamente habilidade num papel dramático - que, aliás, em muito lembra seu personagem em Amor A Toda Prova (EUA, 2011) -, ao passo que Keira Knightley acerta o tom, tornando convincente, portanto, a química existente entre o casal de protagonistas.

Ficha Técnica
Título Original: Seeking a Friend for the End of the World
Direção e Roteiro: Lorene Scafaria
Produção: Steve Golin, Joy Gorman, Steven M. Rales, Mark Roybal
Elenco: Brad Morris, Steve Carell, Nancy Carell, Mark Moses, Roger Aaron Brown, Rob Huebel, Trisha Gorman, Keira Knightley, Adam Brody, Tonita Castro
Fotografia: Tim Orr
Trilha Sonora: Jonathan Sadoff, Rob Simonsen
Estreia no Brasil: 31.08. 2012          Estreia Mundial: 22.06.2012
Duração: 101 min.

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