EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Paris-Manhattan



Salvo Pelo Woody!

Em meio a verdadeiras pérolas da sétima arte, é inegável que a filmografia de Woody Allen possui alguns títulos que se não chegam a ser vergonhosos são, de qualquer forma, esquecíveis, o que não deixa de ser natural em se tratando de uma carreira tão extensa é prolífica.
Dito isso, Paris-Manhattan (França, 2012) é a homenagem ao artista feita por Sophie Lellouche, tributo esse que, apesar de todo o oceano de boas intenções envolvido, se iguala ao patamar das realizações menores do diretor, limitando-se, desta feita, ao nível do mediano Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (2010) ao invés de galgar a exuberância de um Manhattan (1979), por exemplo.
As referências ao universo de Allen estão presentes, ressalte-se, seja na reprodução de trechos de certas produções suas, seja no enquadramento de pôsteres de seus filmes, seja no jeito verborrágico e um tanto atabalhoado da protagonista, seja na inspiração de determinadas cenas em partes de alguns dos roteiros por ele filmados, seja na duração inferior a noventa minutos. Ocorre que por desejar tanto se parecer com a obra do cineasta nova-iorquino, o trabalho de Lellouche acaba carecendo de uma personalidade própria e de um humor mais autoral – o que, aliás, explica o fato de muitas piadas parecerem velhas e não funcionarem como pretendido.
Considerando que este é um longa-metragem de estreia, é inegável que fora inteligente, sob o ponto de vista comercial, a ideia de fazer um filme de ficção sobre e para Woody Allen, o qual, frise-se, independentemente da esperteza e/ou ineficiência de Sophie Lellouche, salva a produção com uma aparição relâmpago especialíssima. Se copiar Allen não é sinônimo de êxito, nada mais lógico e eficaz, portanto, que lançar mão do próprio para reservar ao título algum valor. E Woddy garante isso com apenas dois ou três minutos em cena.

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Sophie Lellouche
Produção: Philippe Rousselet
Elenco: Alice Taglioni, Marie-Christine Adam, Marine Delterme, Patrick Bruel, Yannick Soulier, Woody Allen
Estreia Mundial: 18.07.2012
Duração: 87 min.

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