EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sábado, 8 de setembro de 2012

Garota Fantástica



Diversão Sobre Rodas

Carismática, Drew Barrymore abandonou há muito o estigma de menina problema e adotou ares relaxados, porém, desenvoltos que lhe tornaram apta a emprestar charme a qualquer uma das comédias românticas por ela estreladas. Sua estreia na direção com Garota Fantástica (EUA, 2009), dentro deste contexto, não poderia resultar mais simpática.
Leve, descompromissado e, sobretudo, divertido o longa-metragem é uma mistura de filme de esporte com romance e drama familiar, ingredientes esses, ressalte-se, cuidadosamente trabalhados em prol da harmonia da narrativa. É inegável, contudo, que o roteiro poderia ser mais bem burilado para, desta feita, escapar de alguns clichês e de certas incoerências temporais, mas, levando em consideração o alto astral impresso em cada frame, a tolerância perante tais irregularidades se mostra deveras imediata e compreensível.
Com efeito, dentre as muitas escolhas certas que tornaram Garota Fantástica tão agradável merece destaque o elenco. Num papel tão pequeno quanto o de um figurante Drew Barrymore cede espaço para um grande time de atrizes composto por uma surpreendentemente sexy Kristen Wiig – que inova ao passar longe de um personagem cômico –, pela sempre espevitada Juliette Lewis, pela naturalmente eficiente Marcia Gay Harden e pela talentosa Ellen Page responsável, cabe frisar, por atribuir a obra o tom indie exigido pelo mercado e que tanto marca a filmografia da mesma.
Minissaias, shorts minúsculos e lindas mulheres sobre patins garantem a sensualidade de um espetáculo na verdade nada apelativo porque interessado apenas em entreter a partir de uma realidade esportiva pouco conhecida¹. Ah, e tudo isso embalado por uma trilha musical que vai de Ramones a Radiohead!
___________________________
1.     Talvez por esse motivo a produção tenha sido injustamente ignorada pelos cinemas brazucas, sendo, assim, lançada diretamente em DVD.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Whip It
Direção: Drew Barrymore
Produção: Barry Mendel

Elenco: Ellen Page, Marcia Gay Harden, Kristen Wiig, Drew Barrymore, Juliette Lewis, Jimmy Fallon, Daniel Stern, Zoe Bell.
Roteiro: Shauna Cross
Fotografia: Robert D. Yeoman
Duração: 111 min.

Um comentário:

  1. Bom filme, leve, divertido e descompromissado. A cara da Drew Barrymore.

    avozdocinefilo.blogspot.com.br

    ResponderExcluir