Amor



Grito de Angústia

Os filmes de Michael Haneké são naturalmente inquietantes. Em Amor (França, Alemanha, Áustria/2012) o diretor galga novo degrau de uma escadaria de emoções na medida em que desperta no espectador medos que este insiste em deixar adormecidos
Com efeito, o drama de Haneké indica a cada um a possibilidade de um futuro (ou presente) implacável quando configurado nas agruras da velhice. Neste contexto, Para quem já houver testemunhado de perto um fim de vida parecido ao engendrado por Haneké, chama a atenção a fidelidade com que o diretor e principalmente Emmanuelle Riva reproduzem o passo a passo de uma vida esvaída pela senilidade. Some-se a isso o claustrofóbico trabalho de fotografia de Darius Khondji e a presença do icônico Jean-Louis Trintignant em performance grandiosa na medida em que mescla perplexidade e resignação, e o que se tem é o retrato duro, cruel da finitude que nos aguarda e nos torna impotentes.
O final ligeiramente em aberto se enquadra numa característica comum a filmografia do cineasta embora nesse caso denote um inegável viés poético trabalhado para atenuar a dor não do público, mas sim dos personagens. Não a toa, portanto, o silêncio que acompanha a subida dos créditos finais reverbera no interior do espectador como um grito de angústia, o que permite a seguinte conclusão: Amor não faz concessões nem teme o incomodo capaz de causar. Nada mais coerente se pensarmos que a morte também assim se comporta, não desperdiçando por vezes a oportunidade de tripudiar em vagarosos passos de degradação do ser.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Amour

Direção Roteiro: Michael Haneke

Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz

Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillero, Walid Afkir

Fotografia: Darius Khondji

Estreia no Brasil: 18.01.2013          Estreia Mundial: 20.09.2012

Duração: 127 min.

Comentários

  1. Ansiedade a mil. E olha que nem gosto de "A Fita Branca", do Haneke

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