EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Origem


Conjunto Homogêneo de Excelência

Em apertada síntese, A Origem (EUA, 2010) é um filme de assalto cujo desenrolar, como é comum aos exemplares do gênero, não sai conforme o esperado.
Ocorre que resumir desse modo tal obra significa também subestimar o intricado quebra-cabeça montado pelo diretor Christopher Nolan que, a exemplo do último Batman, realiza um espetáculo que, apesar das proporções grandiosas, jamais permite a prevalência da forma sobre o conteúdo.
Neste diapasão, chama atenção a habilidade do cineasta em fundir diversas subtramas a um vasto número de personagens cujo tempo de permanência em tela é sempre bem usufruído. Desta feita, tal como em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), as várias camadas do enredo são aos poucos reveladas para, próximo ao fim, se agregarem num conjunto homogêneo de excelência.
Não fosse o bastante a inteligência e a originalidade das idéias do roteiro, o longa-metragem aproveita, ainda, a ambientação no universo dos sonhos para apresentar uma inventividade visual que não se via desde os tempos de Stanley Kubrick.
Desse modo, Nolan prova mais uma vez do que é capaz quando dispõe da liberdade e do financiamento necessários a realização de um blockbuster culto e de qualidade, privilégios esses oriundos do merecido prestígio por ele adquirido.

COTAÇÃO: ****

Ficha Técnica
Título Original: Inception
Direção e Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Ken Watanabe (Saito)Ellen Page (Ariadne) Joseph Gordon-Levitt (Arthur)Johnathan Geare (James)Lukas Haas (Nash) Michael Caine (Professor) Cillian Murphy (Fischer)Tom Berenger (Browning)Claire Geare (Phillipa )Alex Lombard (Memory ) Talulah Riley (Blonde)Leonardo DiCaprio (Cobb)Tom Hardy (Eames) Dileep Rao (Yusef) Marion Cotillard (Mal)
Fotografia: Wally Pfister
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Duração: 148 min.
Estreia: 6 de Agosto de 2010

Um comentário:

  1. ótimo filme... Mas de tanto se falar de sono, acabei cochilando.... rsrs

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