EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 31 de agosto de 2010

Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa


Go Back

Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa (Brasil, 2008) é uma deliciosa colagem de imagens envolvendo momentos da banda paulista desde seus primórdios até os dias mais recentes.
Neste passo, o saudosismo reina para a felicidade de qualquer fã do rock brasileiro, dada a possibilidade de se degustar cenas da década de 80 até então inéditas e não raro hilárias - afinal, como, por exemplo, não se esbaldar com a comicidade dos papelões a que, em início de carreira, os músicos se prestavam em programas como os da Hebe e do Gugu?
As imagens, desta feita, falam por si só, dispensando qualquer outro artifício narrativo, graças a um excelente e trabalhoso processo de montagem. Todavia, como os tempos modernos pedem agilidade e ritmo, certos eventos importantes na história da banda – como as prisões de Tony Bellotto e Arnaldo Antunes, além da despedida de Nando Reis – são mostrados com muita rapidez quando bem poderiam ser mais esmiuçados.
Essa velocidade acelerada, porém, nada mais é do que uma falha pequena perto do prazer que é assistir a este documento histórico sobre um brilhante e animado período da música brasileira. E se as cenas projetadas perdem seu impacto a medida em que se aproximam do presente é porque o grupo hoje é uma memória distante do que já foi um dia em termos de rebeldia e qualidade.
Ok, aqueles rapazes feiosos viraram senhores, daí o ar selvagem de outrora ter ficado para trás, mas, ainda assim, permanece a sensação de que os Titãs envelheceram mal, o que pode ser constatado pela excessiva quantidade de álbuns revisionistas lançados desde seu Acústico MTV.
Ou, como já diziam os próprios Titãs em Não Vou Me Adaptar, uma das primeiras composições de Arnaldo Antunes: “eu não caibo mais nas roupas que eu cabia/ eu não encho mais a casa de alegria (...) eu não tenho mais a cara que eu tinha/ no espelho essa cara já não é minha”.

 

COTAÇÃO: ۞۞۞


Ficha Técnica

Direção, Roteiro e Montagem: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves
Produção: Angela Figueiredo, Paulo Roberto Schmidt.
Produção Executiva: Angela Figueiredo, Paulo Roberto Schmidt, Maria Clara Fernandez, Fábio Zavala e Cristina Fantato.
Edição de som: Oscar Rodrigues Alves, Branco Mello, Denilson Campos
Mixagem: Denilson Campos.
Direção de Arte: Luciano Cury.
Produtores associados: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Charles Gavin, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Oscar Rodrigues, Alves, Susi Fromer, Alice Fromer e Max Fromer
Estreia: 16 de Janeiro de 2009
Duração: 100 minutos

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