EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não se Pode Viver sem Amor

Sucedâneo de Situações Estapafúrdias

Existe uma diferença entre criar algo surrealista e entregar um produto simplesmente absurdo. No caso de Não se Pode Viver sem Amor (Brasil, 2011) o cineasta Jorge Durán flerta com o surreal – e até mesmo com o sobrenatural – mas peca ao tentar atribuir verossimilhança as idéias do script, daí o longa-metragem desaguar num sucedâneo de situações estapafúrdias cujo resultado, literalmente, faz jus a expressão desperdício de talentos, vide o inconteste esforço de todos os grandes nomes do elenco para honrar seus respectivos personagens¹ e a produção que, por sua vez, não encontra redenção alguma graças, repita-se, ao roteiro mais sem pé nem cabeça dos últimos tempos².
Eis, portanto, o exemplo de obra que o cinema nacional menos carece neste momento de consolidação; afinal, há muito já se percebeu que o espectador não é bobo nem se contenta com a mera junção, sob qualquer pretexto, de atores globais.
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1. Dentre as poucas sensações dignas de nota deixadas pelo filme, merece registro  a ansiedade para que o fim do filme não custe a chegar bem como para ver a atriz Fabiúla Nascimento desvinculada do papel de prostituta já tão recorrente em sua filmografia
2. Uma prova disso é o total abandono da personagem interpretada por Maria Ribeiro .
COTAÇÃO: ۞
Ficha Técnica
Direção: Jorge Durán
Produção: Gabriel Durán
Estreia: 6 de Maio de 2011
Duração: 102 minutos

Um comentário:

  1. Embora o filme seja mesmo "estapafúrdio" (o que não é necessariamente algo negativo), gostei dele, sobretudo pela Simone Spoladore e pelo "clima" e estética do filme, que me atrairam.

    O assisti na edição do ano passado (2010) do Cine PE festival e talvez isso tenha pesado positivamente a seu favor, pois é recorrente neste festival termos alguns ótimos curtas e longas demasiado óbvios e sem graça; o presente filme, nada tendo de óbvio ou de padronizado (ao menos no que concerne a produções nacionais) constituiu para mim uma grata surpresa.

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