EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 14 de junho de 2011

Os Nomes do Amor


A Politização da Comédia Romântica

Imagine uma comédia romântica que reúne assuntos díspares como anti-semitismo, pedofilia, gripe aviária, xenofobia, obsolescência tecnológica, eleições presidenciais, guerras e política de imigração. Pouco provável? Pois essa é justamente a proeza que o cineasta Michel Leclerc alcança em Os Nomes do Amor (França, 2010).
Lançando mão de um tom leve e alto-astral, Leclerc conta a improvável história de amor vivida entre os antagônicos Arthur Martin e Bahia (não, o nome não é brasileiro), sem se privar de levantar assuntos mais sérios que, felizmente, são apresentados com naturalidade suficiente para evitar que a obra adote qualquer ar sisudo.
Para tanto, o diretor se vale de um inteligente trabalho de edição amparado por sacadas inteligentes como os monólogos dos protagonistas perante a câmera/espectador, bem como as interações entre as versões adultas e mirins/adolescentes dos mesmos personagens, concedendo ao filme, desta feita, um frescor que lhe faz driblar a mesmice típica do gênero.
Neste sentido, colabora também para o satisfatório resultado final da obra a gostosa química entre os atores Jacques Gamblin e Sara Forestier - com especial destaque para esta última que, de maneira desinibida, encarna com alegria uma personagem adepta, literalmente, do lema “faça amor, não faça guerra”.
Eis, portanto, uma produção que graças a seu humor ácido diverte e, pasmem, faz refletir. Recomendadíssimo!  

COTAÇÃO: ۞۞۞

FICHA TÉCNICA
Título original: Le Nom des Gens
Direção: Michel Leclerc
Roteiro: Michel Leclerc, Baya Kasmi
Produção: Caroline Adrian, Fabrice Goldstein e Antoine Rein
Elenco: Jacques Gamblin (Arthur Martin)Adrien Stoclet (Arthur Martin adolescent)Camille Gigot (Arthur Martin enfant )Laura Genovino (Bahia Benmahmoud enfant )Rose Marit (Annette enfant)Youari Kime (Mohamed Benmahmoud enfant)Yann Goven (pianista)Sara Forestier (Bahia Benmahmoud)Zinedine Soualem (Mohamed Benhmamoud)Carole Franck (Cécile Delivet Benmahmoud) Jacques Boudet (Lucien Martin) Michèle Moretti (Annette Martin)Zakariya Gouram (Hassan Hassini )Julia Vaidis-Bogard (Annette à 30 ans)Nabil Massad (Nassim)
Música: Jérôme Bensoussan e David Everte
Fotografia: Vincent Mathias
Edição: Nathalie Hubert
Estreia no Brasil: 10 de Junho de 2011
Duração: 102 min.

3 comentários:

  1. Concordo plenamente, Dario... óootimo texto!
    Posta lá no Neocríticas! ;)

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  2. Assisti hoje este filme e me diverti bastante! Certamente as intervenções dos personagens em diferentes fases deram um ritmo vivaz ao filme e a narração deles olhando para a câmera também! Lembrei do ótimo "Meu Tio da América", do Alan Resnais, onde ele explorou este recurso provocativo e inteligente e as diferentes fases de suas personagens! Gostei do texto Dario!

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  3. Não tão ácido, mas um tanto nonsense, no sentido de contrário à razão, realmente o humor nesse filme faz refletir e... diverte! Como vc não atira no escuro, sempre acerta no alvo!

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