EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Pai dos Meus Filhos

Indústria Cinematográfica Sem Glamour

O Pai dos Meus Filhos (França, 2009), apesar do título, pouco trata da relação entre o protagonista e sua mulher e filhas, isso porque o foco maior do filme de Mia Hansen-Love incide sobre o aspecto profissional da vida do produtor de cinema Grégoire Canvel (Louis-Do de Lencquesaing).
Assim, ao público é apresentado o processo final de derrocada de um homem e de sua empresa face as enormes dívidas contraídas ao longo de anos. Neste sentido, vale dizer que o longa-metragem é dividido em dois atos por meio de uma súbita tragédia, o que, entretanto, não quer dizer muita coisa, visto que absolutamente nada do que é mostrado consegue mexer com o espectador que, em razão da frieza européia com que a obra é conduzida, fica sujeito a sensação de estar perdendo tempo com algo que não irá a lugar algum.
Uma vez que da história não advém qualquer emoção – principalmente se levar-se em conta o parâmetro latino de passionalidade –, o envolvimento de quem assiste a obra para com os dramas dos personagens é nulo, daí a experiência de enfrentar até o fim a exibição soar deveras angustiante. Contudo, para não parecer injusto, vale dizer que em uma coisa O Pai dos Meus Filhos logra êxito: desencorajar qualquer aspirante a uma carreira nos bastidores da indústria cinematográfica!

COTAÇÃO: ۞۞

Ficha Técnica
Título Original:Le Pére des mes Enfants
Direção e Roteiro: Mia Hansen-Love
Produção: Olivier Damian, Philippe Martin e David Thion
Elenco:  Chiara Caselli (Sylvia Canvel)Alice de Lencquesaing (Clémence Canvel)Eric Elmosnino (Serge) Louis-Do de Lencquesaing (Grégoire Canvel)
Fotografia: Pascal Auffrey
Edição: Marion Monnier
Duração: 110 min.
Curiosidade: O filme conquistou no Festival de Cannes de 2009 o Prêmio Especial do Júri na Mostra Un Certain Regard

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