EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Simon Werner Desapareceu

Rashomon à Francesa

 

Simon Werner Desapareceu (França, 2010) lança mão de uma estrutura narrativa a la Rashomon (Japão, 1950) para apresentar diferentes pontos de vista sobre uma mesma situação-problema, qual seja o sumiço de adolescentes colegas de classe.

Neste passo, o ar cool das primeiras cenas gera consideráveis expectativas no espectador que, por sua vez, não tarda a perceber que a promessa não será devidamente cumprida, uma vez que tanto os personagens quanto suas complicações hormonais/familiares são manipulados pelo diretor Fabrice Gobert de maneira fria, enfadonha, daí o entusiasmo do início voltar a dar as caras somente nos momentos em que a música da banda Sonic Youth entra pelos ouvidos – o que, convenhamos, é muito pouco para um projeto cinematográfico.

 Porém, eis que, já próximo ao fim, Simon Werner executa com objetividade uma corrida de recuperação voltada a justificar sua razão de ser, qual seja demonstrar a capacidade criativa do homem para a elaboração de boatos e/ou conclusões infundadas/precipitadas que não raro desmoralizam o próximo sem piedade. Uma vez que tal viés do roteiro não é suscitado com maior antecedência, a obra deixa no público uma dúbia sensação: de um lado o pensamento “antes tarde do que nunca!” e do outro o sentimento de frustração perante o testemunho de algo com potencial suficiente para ser muito mais do que aquilo que é visto na prática.

COTAÇÃO: ۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: Simon Werner a Disparu...
Direção e Roteiro: Fabrice Gobert
Produção: Marc-Antoine Robert e Xavier Rigault
Elenco: Jules Pelissier (Jérémie), Ana Girardot (Alice), Arthur Mazet (Jean-Baptiste Rabier), Laurent Delbecque (Simon), Yan Tassin (Frédéric), Selma El Mouissi (Laetitia), Esteban Carvajal-Alegria (Luc), Audrey Bastien (Clara)
Fotografia: Agnès Godard
Música: Sonic Youth
Edição: Peggy Koretzky
Duração: 87 min

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