EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 17 de junho de 2011

Potiche – Esposa Troféu

Comédia de Costumes

Atendendo a um convite dos organizadores do Festival Varilux de Cinema Francês 2011, a atriz Catherine Deneuve esteve no último dia nove no Rio de Janeiro para a divulgação de Potiche – Esposa Troféu (França, 2010), ocasião em que participou de uma coletiva de imprensa na qual declarou: "Essa indústria da beleza é muito limitadora para as atrizes, assim como o culto à juventude. Envelhecemos melhor na Europa"¹.
Ratificando os termos de Deneuve, a comédia de François Ozon constitui um exemplo pouco comum de filme protagonizado por atores de meia idade, estruturando-se, assim, em torno de um texto muito bem humorado e sacana que não se exime de, por vezes, colocar os senhores e senhoras do elenco em situações marcadas por certo erotismo.
Uma vez que o roteiro possui origem teatral, a narrativa de Ozon não raro remete à encenação feita num palco - visto ser corriqueiro numa só seqüência o trânsito de três ou mais personagens por um mesmo espaço - o que, vale frisar, não constitui problema algum, tendo em vista que as piadas de Esposa Troféu provêm dos diálogos e não de gags visuais e físicas – outra coisa rara nesses tempos!
Nada disso, porém, faria sentido sem um elenco afinado, qualidade essa que, felizmente, sobra no longa-metragem. Neste sentido, Catherine Deneuve, inspiradíssima, compõe uma mulher a princípio domesticada, mas que aos poucos revela um lado reacionário e nada recatado, contrastando, portanto, de maneira perfeita com o falso moralista de Fabrice Luchini, com o político romântico de Gerárd Depardieu e com a amalucada secretária/amante vivida por Karin Viard.
Não fosse o bastante a qualidade do material e dos atores, Potiche ainda conta com eficientes trabalhos de figurino e de direção de arte que lhe concedem um ar vintage, elementos esses que juntos mantém a peteca no ar mesmo quando o ritmo frenético do começo sofre determinadas variações ao longo do filme, aspecto esse, frise-se, contornado pela esperta direção de Ozon que, sabendo da dificuldade que é manter sempre em alta o nível das piadas, preenche a obra com insinuações sexuais cujas respostas ficam ao critério do espectador. Logo, é ver e se divertir.
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1. FONTE: http://www.adorocinema.com/colunas/coletiva-catherine-deneuve-1126/

COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Título Original: Potiche
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon, baseado em peça teatral de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy
Elenco: Catherine Deneuve (Suzanne Pujol)Gérard Depardieu (Maurice Babin)Fabrice Luchini (Robert Pujol)Karin Viard (Nadège)Judith Godrèche (Joëlle)Jérémie Renier (Laurent Pujol)Évelyne Dandry (Geneviève Michonneau) Bruno Lochet (André)Elodie Frégé (Suzanne jovem)
Figurino: Pascalline Chevane
Edição: Laure Gardette
Estreia Oficial no Brasil: 23 de Junho de 2011
Estreia Mundial: 5 de Novembro de 2010
Duração: 103 minutos
Grande Cena: Catherine Deneuve  e Gerárd Depardieu dançando numa discoteca.

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