EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 19 de maio de 2010

Robin Hood


Produto Aborrecido

Determinados a apresentar às platéias dos anos 2000 uma versão adulta e séria sobre a lenda de Robin Hood, Ridley Scott e Russel Crowe mergulharam nos aspectos político-econômicos da Inglaterra do século XII para, assim, indicar o contexto histórico no qual surgiu o herói de arco e flecha.
O problema é que tanto esforço em distanciar este Robin Hood de suas demais versões cinematográficas acaba por gerar um produto aborrecido, sem emoção nem brio, dada a falta de equilíbrio entre seus lados paradidático e folhetinesco.
Neste sentido, a produção amarra sem muita sutileza sonolentas aulas de história inglesa a uma mezo história de amor que a ninguém convence, graças a interpretações no piloto automático de Russel Crowe e Cate Blanchett.

Sim, existem cenas de ação para atrapalhar o cochilo do espectador, mas, por surgirem de forma tão deslocada e se desenvolverem com tanta rapidez, não logram êxito em atrair a simpatia da audiência, que se mantém, desta feita, saturada com o ar modorrento da obra.¹
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1.    Por isso tudo, o arco e flecha de ouro permanecem com Robin e Marian, filme de 1976 dirigido por Richard Lester, cujo roteiro apresenta um Robin Hood (Sean Connery) envelhecido e cansado de suas desventuras que, ao voltar do exílio, tem de lidar com seus antigos algozes, bem como retomar sua relação com Lady Marian (Audrey Hepburn).


 COTAÇÃO: ***

Ficha Técnica
Direção: Ridley Scott
Elenco: Mark Strong (Sir Godfrey)Cate Blanchett (Marian)Russell Crowe (Robin Hood)William Hurt (William Marshall)Scott Grimes (Will Scarlet)Kevin Durand (Little John)Oscar Isaac (Rei João)Vanessa Redgrave (Eleanor of Aquitaine) Matthew Macfadyen (Xerife de Nottingham)Bronson Webb (Jimoen)
Estreia: 14 de Maio de 2010
Duração: 148 minutos

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