EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lunar


Uma Questão de Escolha

Sam Bell trabalha há quase três anos em plena superfície lunar. Fincado no lado não iluminado pelo sol, o astronauta realiza a coleta de minérios que se tornaram fonte de energia aos demais terráqueos.
Por conta desse peculiar ofício, Sam não goza da companhia de mais ninguém, a não ser a do computador Gerty que, graças aos milagres da inteligência artificial, é o único “ser” capaz de trocar palavras em tempo real com o humano.
Esgotado pela rotina e pela solidão, Sam começa a padecer de delírios, numa freqüência que aumenta à medida que se aproxima o dia de seu retorno à Terra, o que culmina no sofrimento de um acidente do qual o astronauta escapa com vida, mas não sem antes se deparar com um homem  de imagem totalmente semelhante a sua.
Até então Lunar (Reino Unido, 2009) se comporta como uma exemplar ficção científica existencialista; contudo, seu desenvolvimento neste diapasão é rompido – talvez para não inflamar ainda mais as inevitáveis comparações a 2001 – Uma Odisséia no Espaço – quando a opção de análise do grau de perturbação da mente humana perante o isolamento é descartada em favor de um plot sobre clonagem que, diante o rumo diverso que tomara a primeira metade do filme, custa a ser aceito pelo espectador.
Não que o tema da clonagem, ressalte-se, seja enfadonho; todavia, sua abordagem, no caso da obra em comento, acaba por frustrar expectativas maiores quanto a eleição de um viés predominantemente psicológico. De qualquer forma, é inegável que o conjunto da obra apresenta assuntos pouco explorados pelo cinema, o que, pelo bem ou pelo mal, agrega a Lunar um louvável frescor, não obstante suas deficiências.
Ademais, ainda no que tange as qualidades do filme, seria inconcebível falar do mesmo sem destacar o trabalho de Sam Rockwell que, com sua costumeira competência, atribui as exatas doses de melancolia e de agressividade exigidas por seu papel.
Embora peque por soluções fáceis e opções dramáticas discutíveis, este primeiro longa-metragem de Duncan Jones revela um cineasta nada afoito, cuja carreira, pelo visto, promete ser promissora.

COTAÇÃO - ☼☼☼         

Ficha Técnica
Título Original: Moon
Direção: Duncan Jones

Fotografia: Gary Shaw
Trilha Sonora: Clint Mansell

Direção de Arte: Hideki Arichi
Figurino: Jane Petrie
Edição: Nicolas Gaster
Efeitos Especiais:Cinesite / The Visual Effects Company
Elenco: Sam Rockwell (Sam Bell), Kevin Spacey (Gerty - voz), Robin Chalk (Sam Bell Clone)Rosie Shaw (Little Eve), Benedict Wong (Thompson)Dominique McElligott (Tess Bell)Adrienne Shaw (Nanny) Kaya Scodelario (Eve Bell)
Duração: 94 minutos
Grande Cena: Sam Bell disputando uma partida de pingue-pongue com Sam Bell.
Curiosidade: O diretor Duncan Jones é filho do cantor e ator David Bowie. Atualmente o cineasta prepara sua nova ficção científica Source Code cujo elenco será encabeçado pelo príncipe da Pérsia Jake Gyllenhaal.

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