EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ao Lado da Pianista


O Valor da Simplicidade

Simples e eficiente. Eis as qualidades de Ao Lado da Pianista. Ao tratar da vingança em seu enredo, o longa do diretor Denis Dercourt dispensa arroubos estilísticos para centrar a tensão da trama em sutilezas advindas de gestos e olhares.
Para tanto, o filme conta com um elenco extremamente competente, no qual se mostra imperioso destacar a presença de Déborah François que, com uma atuação não menos que brilhante, extrai da introspecção a profundidade de sua personagem, num processo lento e gradual de revelação de facetas que emulam ares ora de Lolita ora de femme fatale sem que isso implique na banalização do papel.
Longe de qualquer preocupação ou pretensão inovadora, como sugerido acima, a obra em comento brinca com os elementos do gênero para, dentro dessa proposta, apresentar vertentes que acabam por diferenciá-la das demais, o que é conseguido com folga graças a um roteiro que recusa concessões a fórmulas prontas, deixando o espectador, por conseguinte, em crescente expectativa acerca dos rumos a serem tomados pelos planos revanchistas da protagonista.
Neste passo, a música acompanha com maestria a evolução de um suspense acima de tudo psicológico; afinal, os raros toques trocados entre as personagens expressam, na verdade, um carinho deveras ambíguo que nada tem a ver com a violência física que, via de regra, permeia enredos de temática semelhante.
Ao Lado da Pianista, um filme para ser degustado sem pressa, tal qual o tradicional prato que se come frio.

COTAÇÃO: ****

Ficha Técnica
Título Original: La Torneuse de Pages
Direção: Denis Dercourt
Elenco: Jacques Bonnaffé (Monsieur Prouvost) Clotilde Mollet (Virginie) Caroline Mathieu (Lawyer) Catherine Frot (Ariane Fouchécourt) Déborah François (Mélanie Prouvost)Michèle Ernou (Monique)Martine Chevallier (Jackie Onfray)Christine Citti (Madame Prouvost) Antoine Martynciow (Tristan Fouchécourt)André Marcon (Werker)Pascal Greggory (Jean Fouchécourt)Xavier De Guillebon (Laurent)Julie Richalet (Mélanie Prouvost enfant)
Duração: 85 minutos

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