EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 8 de junho de 2010

7 Anos


Fidelidade Quanto a Proposta

7 Anos (França, 2006) narra a trajetória de um intricado triângulo amoroso. O marido está preso, motivo pelo qual pede a seu carcereiro que seduza sua esposa para que assim esta retome sua vida sexual.
Inicialmente os três envolvidos encaram essa oportunidade com frieza predeterminada. Cada um possui, a seu modo, objetivos específicos: o prisioneiro quer escutar gravações dos orgasmos de sua mulher, ao passo que esta e seu amante buscam tão somente o sexo escapista.
Porém, como as relações humanas nada tem de fórmulas matemáticas, as metas de cada um começam a se tornar incômodas à medida que sentimentos vão tomando o lugar do distanciamento calculado.
O sexo, então, muda de cenário: do banco do automóvel do amante os encontros eróticos pulam para a cama deste que, por sua vez, passa a passa exigir da mulher algo além de uma relação carnal.
A esposa, em contrapartida, deixa de compreender até que ponto satisfaz a si própria e/ou a seu marido que encarcerado perde o equilíbrio ao perceber que as peças do jogo que criara não se movem mais conforme seu bel prazer.
Filmado e montado em consonância com o estado de espírito de seus personagens, 7 Anos é marcado pelo predomínio de uma frieza – caracterizada nos cortes secos que permitem pouca aproximação da platéia para com o trio de protagonistas – durante quase toda sua duração, para, em seguida e já próximo ao final ganhar ares de sensibilidade que ressoam as reflexões de cada membro do triângulo amoroso; momento esse em que os planos se mostram ligeiramente mais longos e contemplativos, valendo-se, neste sentido, de uma troca de ambientes urbanos para locações paradisíacas, ainda que gélidas – afinal, não podemos esquecer que a frieza constitui o eixo central da trama.
Dentro deste contexto, a fidelidade do diretor Jean-Pascal Hattu perante a proposta de seu roteiro é inconteste, mesmo que isso possa implicar a rejeição do espectador para com o drama desenvolvido.

COTAÇÃO: ***

Ficha Técnica
Título Original: 7 Ans
Direção e Roteiro: Jean-Pascal Hattu
Elenco: Valérie Donzelli, Bruno Todeschini, Cyril Troley
País de Origem: França
Estreia: 3 de Setembro de 2006
Duração: 86 minutos

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