EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dead Man


Interessante Variação de um Gênero

Logo de cara os créditos iniciais de Dead Man (EUA, 1995) impressionam: elenco formado por Johnny Depp, Robert Mitchum, Billy Bob Thorton, Alfred Molina, John Hurt, Iggy Pop (e seu cômico figurino), para, sob o som da trilha sonora de Neil Young, atuar conforme as diretrizes de Jim Jarmusch.
Tantos talentos reunidos, felizmente, não causaram deslumbramento no diretor independente Jarmusch que, ao invés de cometer o pecado tantas vezes visto do filme construído em torno e para endeusamento de seus astros, opta por aproveitá-los a até mesmo descartá-los conforme a necessidade da história – o que por diversos momentos gera execuções sumárias, mas também desajeitadas e cômicas, de quase todos os personagens defendidos pelas mencionadas celebridades.
Assim, desprovido de qualquer apelo comercial o cineasta constrói uma narrativa que – à exemplo de outras produções de sua filmografia como Dawn By Law e Flores Partidas – não manifesta pressa alguma em ser concluída, o que lhe permite lançar de forma gradativa um olhar sobre os referidos personagens, bem como sobre o ambiente que lhes cerca, qual seja o Oeste selvagem americano, para, por fim, indicar que instintos como os da sobrevivência e da violência são inerentes ao homem independentemente de sua localização espacial e/ou temporal.
Apesar de inegavelmente melancólico, o longa-metragem também é dotado de indiscutível beleza graças a sua sublime fotografia em preto-e-branco e ao violão poético e marcante de Neil Young, o que torna Dead Man uma das mais interessantes variações de um gênero cinematográfico; afinal, sua produção fora pioneira na idéia tão improvável quanto genial de realização de um western filosófico-existencialista - leia-se, faroeste-cabeça.

COTAÇÃO: ۞۞۞۞


Ficha Técnica

Direção: Jim Jarmusch
Produtores: Karen Koch
Elenco: Johnny Depp (William Blake)Gary Farmer (Nobody)Crispin Glover (Train Fireman)Lance Henriksen (Cole Wilson)Michael Wincott (Conway Twill)Eugene Byrd (Johnny 'The Kid' Pickett)John Hurt (John Scholfield)Robert Mitchum (John Dickinson)Iggy Pop (Salvatore 'Sally' Jenko)Gabriel Byrne (Charlie Dickinson)Jared Harris (Benmont Tench)Mili Avital (Thel Russell)Jimmie Ray Weeks (Marvin, Older Marshal)Mark Bringleson (Lee, Younger Marshal)Billy Bob Thornton (Big George Drakoulious)Alfred Molina (Trading Post Missionary)
Duração: 121 minutos

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