EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




domingo, 18 de julho de 2010

Brown Bunny

Oportunismo em Análise

Após perder sua grande paixão, Bud (Vincent Gallo) cruza as estradas dos Estados Unidos em busca de vestígios da mulher que ainda ama, bem como da liberdade perdida por conta deste sentimento que o aprisiona e que lhe faz descartar novos romances com exímia imediata.
A primeira vista, o enredo de Brown Bunny até aparenta ser imbuído de certo tom poético; porém, nas mãos de Vincent Gallo, revela-se como um fiapo de história que ao ser estendido para o formato de um longa-metragem resulta num tedioso exercício de pretensão cinematográfica, repleto de soluções fáceis e inverossímeis.
À exceção da inspirada metáfora que justifica o título da obra, as idéias do roteiro são manejadas com uma incômoda infantilidade por Gallo; afinal, em seu universo mulheres se entregam a ele, ou melhor, ao seu protagonista sem qualquer receio ou precaução, muito embora para elas tal homem não passe de um desconhecido – que, por sua vez, não precisa de nada além do que um muxoxo para fazer com que elas beijem-no, acariciem-no, acompanhem-no em sua viagem ou deixem-no adentrar em suas casas.
Diante tantas facilidades encontradas perante o sexo oposto não é de estranhar que a produção de Gallo culmine numa deslocada felação que, em virtude de sua explicitude, leva a crer que todo o filme fora produzido em torno da tal sequência.
Seria este, portanto, um típico exemplo de exibicionismo gratuito? Prefiro pensar na hipótese da sacanagem metida à besta, isto é, envernizada em tons melancólicos garantidores do rótulo “produto de arte”.
Neste diapasão, seria incoerente taxar como gratuita a supracitada cena, já que, como dito antes, todo o filme fora moldado em favor dela para, assim, receber a devida cota de polêmica fomentadora de sua entrada e apreciação em festivais e plateias cults.
É uma pena que Chloë Sevigny tenha sucumbido ao seu diretor, deixando-se expor, portanto, de maneira banal em uma obra vazia que não faz jus a tamanha entrega. Todavia, para não correr o risco de soar ingênuo, faz-se necessário lembrar que a filmografia da atriz é marcada por produções, essas sim, polêmicas, como são os casos de Kids (Larry Clark) e Meninos Não Choram (Boys Don't Cry, Kimberly Peirce) o que permite concluir que sua interpretação ou fora coerente com o rumo de seus trabalhos anteriores ou fora oportunista, tal qual este Brown Bunny.

COTAÇÃO - ☼☼          

Ficha Técnica
Título Original: Brown Bunny, The
Direção, Roteiro, Produção, Fotografia, Montagem e Direção de Arte: Vincent Gallo
Elenco: Vincent Gallo (Bud Clay) Anna Vareschi (Violet) Chloë Sevigny (Daisy)Cheryl Tiegs (Lilly)Mary Morasky (Mrs. Lemon)Elizabeth Blake (Rose)
Duração: 89 minutos

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