EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Vigaristas


Delicioso Misto de Comédia e Aventura

 

Dupla de vigaristas, também irmãos, decide realizar um último golpe elegendo como alvo, para tanto, a jovem herdeira de uma grande fortuna. Porém, como não poderia ser diferente, nem tudo sai conforme planejado.

Deliciosa fusão de aventura com comédia, Vigaristas (EUA, 2008) se vale de um roteiro recheado de sacadas inteligentes para fugir do lugar comum a que se limitam os filmes do gênero. Neste contexto, é digno de aplausos seu trabalho de montagem, dada sua capacidade de levar a platéia a quatro diferentes países sem jamais tornar confusa a narrativa.

O elenco, ademais, é outra excelente característica da produção, graças as inspiradas atuações de todo o seu conjunto e em especial das atrizes Rachel Weisz e Rinko Kikuchi que encontram o timing certo do humor necessário a suas cenas. Kikuchi, aliás, rouba todas as seqüências nas quais participa ao interpretar, tal como fizera em Babel (EUA, 2006), uma personagem lacônica, mas que, no caso da obra em tela, de tão excêntrica se torna irresistivelmente hilária.

É de se lamentar apenas que o diretor e roteirista Rian Johnson tenha estendido o longa para além do necessário, o que acaba por, próximo ao término, gerar um certo cansaço no público; todavia, esse pecado, assim como o diminuto aproveitamento do personagem de Mark Ruffalo – o que, pelo visto, parece ser uma sina de sua filmografia – não são capazes de abafar o bom gosto e a elegância de uma obra que, a esse instante, já terá deixado uma ótima impressão aos espectadores.

 

COTAÇÃO: ۞۞۞۞

Ficha Técnica

Título Original: The Brothers Bloom
Direção e roteiro:Rian Johnson
Produção:Ram Bergman e James D. Stern
Música:Nathan Johnson
Fotografia:Steve Yedlin
Direção de arte:Jasna Dragovic e Paul Kirby
Figurino:Beatrix Aruna Pasztor
Edição:Gabriel Wrye
Elenco: Rachel Weisz (Penelope Stamp)Nora Zehetner (Rose)Noah Segan (Duke)Andy Nyman (Charleston) Maximilian Schell (Diamond Dog)Ricky Jay (Narrator)Zachary Gordon (Young Bloom)Max Records (jovem Stephen)Rinko Kikuchi (Bang Bang)Mark Ruffalo (Stephen)Adrien Brody (Bloom)Dubravko Jovanovic (Albino)
Estreia: 23 de Outubro de 2009
Duração: 113 minutos

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