EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 15 de julho de 2010

Felicidade


A Força das Imagens, o Poder das Palavras

Há filmes difíceis, duros de serem assistidos pela crueza com que expõem situações e/ou comportamentos. Não raro tais obras desembocam em marcantes cenas de violência visual ou verborrágica que passam a ocupar espaço no imaginário de cada espectador, funcionando muitas vezes como agente impeditivo a uma segunda assistida, dado o impacto originado pelo choque do primeiro contato.
Eis alguns exemplos:
·      a sequência do jogo de roleta russa em O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978);
·      o assassinato com um extintor de gás em Irreversível (Irréversible, 2002);
·      a mulher com a perna presa num buraco em Amores Brutos (Amores Perros, 2000);
·      em Felicidade (Happiness, 1998), o diálogo final entre o pai pederasta e o filho pré-adolescente.
Na hipótese do último exemplo citado, chama atenção o fato de a violência mostrada pelo cineasta Todd Solondz ser, sobretudo, falada. O poder que as palavras assumem neste trabalho dispensa qualquer ímpeto voyeurístico, ficando o espectador plenamente ciente das intenções do diretor apenas por meio do que dizem os personagens.
Para tanto, a linguagem utilizada se afasta de qualquer refinamento, sendo, na verdade, grosseira, chula, tal qual os membros da história.
É certo que a visão de mundo de Solondz é demasiado negativa e sombria, o que pode ser compartilhado na íntegra ou não pela platéia. Mas, seja lá qual for o posicionamento de quem assiste Felicidade, é impossível negar este como sendo um dos mais provocativos e perturbadores produtos já criados pelo cinema nestas duas últimas décadas.
Goste ou não, é obra que incomoda pelas mensagens trazidas, as quais, aliás, de felizes nada tem.

COTAÇÃO: ***

Ficha Técnica
Título Original: Happiness
Direção: Todd Solondz
Elenco:Dan  Tedlie (Don)Philip Seymour Hoffman (Allen)Jared Harris (Vlad)Ben Gazzara (Lenny Jordan)Dylan Baker (Bill Maplewood)Gerry Becker (Psychiatrist)Justin Elvin (Timmy Maplewood)Evan Silverberg (Johnny Grasso)Dan Moran (Joe Grasso)Arthur J. Nascarella (Detective Berman)José Rabelo (Pedro)Jon Lovitz (Andy Kornbluth) Diane Tyler (Janet) Eytan Mirsky (Angry Picketer)Douglas McGrath (Tom)Dr. Eric Marcus (Courteous Waiter)Matt Malloy (Doctor)Cynthia Stevenson (Trish Maplewood) Olga Stepanova (Zhenia's Mother)Lila Glantzman-Leib (Chloe Maplewood)Marina Gaizidorskia (Zhenia)Jane Adams (Joy Jordan)Elizabeth Ashley (Diane Freed)Anne Bobby (Rhonda)Lara Flynn Boyle (Helen Jordan)Johann Carlo (Betty Grasso) Molly Shannon (Nancy) Ann Harada (Kay)Hope Pomerance (Hysterical Woman)Marla Maples (Ann Chambeau)Camryn Manheim (Kristina)Louise Lasser (Mona Jordan)Lisa Louise Langford (Radical Picketer)Rufus Read (Billy Maplewood)
País de Origem: Estados Unidos da América
Duração: 134 minutos

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