EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 22 de julho de 2010

Encontro Explosivo


Nonsense

Não há como falar de Encontro Explosivo (EUA, 2010) sem adentrar no aspecto da polivalência de seu diretor James Mangold, dada a facilidade com que o mesmo transita entre gêneros diversos. Seja pela via do western, como é o caso do magnífico Os Indomáveis (3:10 to Yuma, 2007), seja seguindo a cartilha do drama policial em Copland (1997), o cineasta demonstra uma costumeira eficiência ratificada, desta vez, pela aventura de espionagem que fomenta este texto.
Apoiado em um arremedo de roteiro Mangold abraça sem qualquer pudor o entretenimento como objetivo principal, revelando, neste passo, inegável esmero quanto a composição de cenas deliciosamente absurdas – como não se via desde o já longínquo True Lies (James Cameron, 1994).
É no absurdo, aliás, que reside toda a graça de um filme no qual ninguém se leva a sério. Assim, no que tange seus protagonistas, Tom Cruise e Cameron Diaz sintonizam-se plenamente ao clima do longa-metragem; enquanto o ator concentra sua atuação na simpatia cínica de seu sorriso, a atriz reencontra o timing cômico perdido ao longo dos anos.
Neste sentido, a atriz deita e rola ao encarnar o tipo avoado e desastrado, de forma que sua ausência é sempre sentida quando a cena em tela não é sua.
Graças a um time tão a vontade na condução de um blockbuster, Encontro Explosivo até pode vir a render uma sequência; afinal, não é em torno de uma mirabolante história que o filme se estrutura, o que, nesse caso específico, não significa uma crítica negativa. Basta, portanto, se deixar levar e divertir-se por conta dos absurdos da obra.

COTAÇÃO - ☼☼☼☼         

Ficha Técnica
Título Original: Knight and Day
Direção: James Mangold
Elenco: Falk Hentschel (Bernhard)Tom Cruise (Roy Miller)Maggie Grace (April Havens)Peter Sarsgaard (Fitzgerald)Paul Dano (Simon Feck)Marc Blucas (Rodney)Lennie Loftin (Braces)Jordi Mollà (Antonio)Cameron Diaz (June Havens)Viola Davis (Director George)Olivier Martinez, Nicole Signore, Jerrell Lee (Paul)
Estreia: 16 de Julho de 2010
Duração: 109 minutos

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