EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Caixa


O mais que poderia ser menos

Família em dificuldades financeiras é apresentada a proposta de recebimento de um milhão de dólares, desde que se proponha a apertar um botão localizado dentro de uma caixa que lhes é dada. Como conseqüência do ato, porém, alguém desconhecido será assassinado.
A Caixa (The Box, 2010) é o tipo de produção que no papel deveria gerar a expectativa de um belo caldo, o que na prática não se confirma, dada a nítida dificuldade do cineasta Richard Kelly em concatenar, ou até mesmo ignorar, as diversas subtramas levantadas pelo roteiro.
Assim, apesar de partir de uma premissa relativamente simples e, ao mesmo tempo, complexa, o filme se perde em meio a tantas sugestões de seu enredo – tais como ressurreição e vida extraterrestre – tornando-se, assim, um thriller viajandão que, ao fim, não diz a que veio.
Eis, portanto, o típico caso em que o mais poderia ser menos. Desse modo, o que poderia ser um trabalho capaz de suscitar inúmeros questionamentos ao espectador se revela, por outro lado, como um engodo deveras enjoativo.
Neste sentido, colabora, também, para o fracasso da produção o elenco fraquíssimo que se limita a fazer caras e bocas de espanto – a exceção de Frank Langella que, sabe lá como, caiu nessa “roubada”, logo em seguida a sua participação no genial Frost/Nixon (Ron Howard, 2009).
Por ser A Caixa um exemplo de filme que mostra a inegável importância de um diretor no que tange o manejo e montagem das idéias exploradas em um roteiro, imagino o que David Fincher, por exemplo, seria capaz de extrair dessa trama, já que ao utilizar um número consideravelmente menor de plots para contar uma história ligeiramente parecida à da obra em comento, o mesmo foi capaz de produzir uma pequena jóia, infelizmente esquecida, chamada Vidas em Jogo (The Game, 1997).
Entretanto, como o assunto é A Caixa, devo confessar que a única reflexão que me dispus a fazer após seu término foi: por qual razão apenas as mulheres se dispõem a apertar o maldito botão da caixa? Simbologia pretensiosamente inteligente ou mero preconceito sexual?

COTAÇÃO: ۞۞


Ficha Técnica

Título Original: The Box
Direção: Richard Kelly
Elenco: Cameron Diaz (Norma Lewis)Lisa K. Wyatt (Rhonda Martin), Frank Ridley (Detective Starrs), Basil Hoffman (Don Poates)Deborah Rush (Clymene Steward)Celia Weston (Lana Burns)Holmes Osborne (Dick Burns)James Rebhorn (Norm Cahill)Michael Zegen (Garcin)Gillian Jacobs (Dana)Frank Langella (Arlington Steward)James Marsden (Arthur)Allyssa Maurice (Suzanne Weller)
Estreia: 26 de Março de 2010
Duração: 115 minutos

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