EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




terça-feira, 20 de abril de 2010

Substitutos


Ostracismo Futurista

Munidos de justificativas como a diminuição da violência, a devolução da capacidade locomotora a paralíticos, bem como a pura e simples possibilidade de rejuvenescimento e/ou embelezamento, homens e mulheres praticamente não saem mais às ruas, preferindo, assim, comandar, do “conforto” de suas casas, as sexies versões robóticas de suas personas.
Partindo desta premissa, Substitutos (EUA, 2009) adapta a graphic-novel de Robert Venditti para contar uma nova história de embate entre Davi e Golias, o que desta vez é feito sob a ótica de uma ficção científica que, mesmo sofrendo visíveis tropeços – Bruce Willis com seus maneirismos é um deles –, se revela hábil a, em meio a tiros e explosões, levantar curiosas discussões éticas acerca do ostracismo deliberadamente adotado pelos seres humanos após a admitida assunção, por máquinas, de seus deveres profissionais e de suas relações sócio-afetivas. (1)
 Neste passo, ainda que lamentavelmente o potencial desses dilemas não seja explorado em sua plenitude, a mera citação desses elementos, se não garante o nascimento de um novo Blade Runner, inegavelmente descaracteriza o longa-metragem como a aventura descerebrada que ameaçava ser, premiando-lhe, ao fim, com um agradável quê de surpresa.

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(1) Dada a similitude funcional existente entre os avatares da obra dirigida por James Cameron e os robôs substitutos da produção em comento, é possível imaginar o grande filme que aquele primeiro poderia ter sido caso dispusesse de uma dramaturgia menos rasa e não fosse tão arduamente empenhado em ser mera arte do espetáculo em versão natureba-infanto-juvenil.



COTAÇÃO: ***                                


Ficha Técnica
Título Original: Surrogates
Direção: Jonathan Mostow
Estreia: 24 de Setembro de 2009
Duração: 94 minutos

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